Mães estudantes da UFOP lutam pelo Espaço Cuidar em todos os campus da universidade
- Rádio Plural
- 4 de jun.
- 4 min de leitura

Por: Lara Ribeiro
No último dia 28 de Maio universitárias mães concentraram-se na Praça da Sé em Mariana para reivindicarem o Espaço Cuidar, local de suporte para as mães tirarem leite e deixarem seus filhos na Universidade, para todos os campus da Universidade. Atualmente existe apenas um local, que fica localizado no Morro do Cruzeiro, em Ouro Preto.
A manifestação foi organizada a partir da mobilização de mães estudantes com a necessidade de se unir, para reivindicar locais adequados para deixarem seus filhos e filhas e conseguirem um espaço adequado que atenda suas necessidades de mães, como um local apropriado para tirar leite.
Durante a manifestação, entrevistamos cinco mães sobre a realidade de conciliar os estudos acadêmicos com o trabalho de cuidado com seus filhos, e suas relações com a universidade. Nos foi relatado diversos problemas de acesso à permanência, mesmo existindo a bolsa Manu - auxílio financeiro de 250 R$ a estudantes mães da UFOP.
A principal dificuldade retratada foi o direito à permanência, porque as políticas públicas na universidade não são suficientes para contemplar todas as necessidades das mães. Assim, ter uma rede de apoio para maternar é o que ajuda estudantes a permanecer na universidade.
Gabriele Neves é estudante de Serviço Social, participante do Wiphala - Frente de Trabalho, com três projetos de extensão - atualmente escreve seu TCC a partir da sua pesquisa “Estudantes mães vinculadas à UFOP: elementos para o debate em torno da permanência no ensino superior público”com orientação de Kathiuça Bertollo.

A minha pesquisa, ela procurou entender e buscar quais políticas de assistência estudantil a UFOP oferecia para as mães estudantes, né? Eu fiz um questionário, um formulário, que durou cerca de seis meses, e durante esses seis meses eu consegui resposta de 28 mães.[...] Eu perguntei qual que é a realidade delas, né? E qual que é a relação delas com a maternidade, né? Dentro da UFOP.
Na pesquisa 96% das estudantes não conseguem se dedicar exclusivamente à universidade, e além disso por causa da falta de rede de apoio fixa e políticas voltada a elas, precisam levar seus filhos à universidade.
A partir da pesquisa eu pude entender que nós mulheres estudantes e mães da UFOP, nós não conseguimos dedicar totalmente, como a gente queria, nos estudos, por causa da falta de políticas [...] São mães que precisam, não tem uma rede de apoio também fixa.[...]
Micaela Luiza, estudante de Pedagogia, em sua fala destaca a importância do apoio financeiro da universidade e de se criar espaços que atendam as necessidades das mães na permanência estudantil. Além disso, ela afirma que foi difícil se manter na 1º graduação que foi de Letras.

Inicialmente, quando eu entrei na UFOP, eu entrei no curso de letras, mas logo veio a pandemia e eu era mãe [...] Então, assim, eu não tive condições financeiras, nem fora, nem dentro, para me manter ali dentro da universidade.[...] A criança precisa estar em algum lugar, é necessário ter um responsável ali, presente para cuidar um espaço.E onde seria esse espaço? Por que não dentro da universidade? Onde eu estou?
Micaela não conseguiu se formar em Letras, e deu uma pausa nos estudos porque não tinha uma rede de apoio a quem deixar seus filhos, já que trabalhava e estudava e seu companheiro também. Mas, ela voltou a estudar e ingressou no curso de Pedagogia ela disse:
Há sete anos atrás, sete anos atrás, eu tive que desistir. Iniciei as aulas[...] porque eu não tinha apoio financeiramente e eu não tinha um lugar, um alguém pra ninguém deixar a minha filha. A minha vontade é, assim que eu terminar, porque eu vou terminar isso de pedagogia, é voltar pra letras e terminar esse sonho. Foi o primeiro sonho que eu tive dentro da universidade. Foi quando eu ocupei esse espaço.
Giovanna Pena também estudante de Pedagogia comenta que mesmo com o apoio do marido, sente a preocupação de ir para a faculdade, pela possibilidade de acontecer qualquer coisa e ela precisa sair da aula para lidar com essa responsabilidade.
É muito desafiador, porque tem dia que eu chego e a escola liga.[...]Tem dia que eu acabei de chegar no ICHS e eu não tenho rede de apoio que possa buscar ela na escola. E aí eu tenho que ir embora para pegar na escola.[...] Assim, a gente vem com preocupação. no dia que não tem opção mesmo, vem com o filho para a aula. Já aconteceu em várias oportunidades, várias aulas eu trouxe ela.

A universidade pública é um espaço para todos, sem nenhuma distinção, principalmente com a inclusão das mães é respeitar em totalidade quem elas são, e isso inclui seus filhos. Em entrevista para Plural, a filha de Giovanna a Laís de 7 anos disse sobre o que mais gosta na universidade:
Eu gosto daquele dia que eu li livros e também quando a mamãe lê alguns textos que eu gosto de ver também [...]
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