Ariadnes da UFOP lança Mapeamento de ações de gênero e sexualidadade na UFOP
- Rádio Plural
- 19 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
Por Lara Ribeiro

O Ariadnes, Observatório de mídia, gênero e sexualidade da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), lançou, nesta segunda-feira (15), o Mapeamento de ações de gêneros e sexualidades na universidade. O trabalho está disponível para download no site do grupo (ariadnes.org). O projeto tem como objetivo indicar as iniciativas de gênero e sexualidade existentes na UFOP, elencando as ações voltadas para essa temática.
Em entrevista para o Jornal Plural, a equipe Ariadnes definiu em linhas gerais a necessidade do mapeamento:
“Vem da necessidade de visualizar quais são e onde estão essas iniciativas, deixar registrado e tornar público esses debates - muito importantes para toda a comunidade acadêmica. Além disso, vem da necessidade de atuar em rede, com parcerias e colaborações que dão visibilidade e força no combate às violências e disparidades de gênero e sexualidade.”
O que é o Mapeamento ?
O documento mapeia os grupos e ações existentes na Universidade Federal de Ouro Preto voltado para as questões de gênero e sexualidade, e traz uma pesquisa inédita sobre a participação de graduandos, docentes, graduados e técnicos nessas iniciativas. Dessa forma, ao evidenciar dados sobre esses ações, mostra-se como elas contribuem na construção crítica e na criação de um ambiente acadêmico mais acolhedor.
No total, o Ariadnes mapeou 24 grupos, coletivos, projetos e ações voltados para a temática.
Entretanto, metade dessas iniciativas responderam ao formulário do Ariadnes, que se aprofunda nos indicadores e dados das ações.
Dentre os 12 que responderam o formulário, os indicadores evidenciaram que as ações são majoritariamente constituídas por estudantes de graduação, que estão presentes em todos os projetos, e docentes, em 83,3% deles. Há também participação significativa de estudantes de mestrado (33,3%) e, em menor grau, técnicos-administrativos em educação (16,7%).

O grupo afirma que a ausência de respostas à pesquisa sobre de estudantes de doutorado e funcionários terceirizados revela que pouco ou nenhuma participação desses profissionais nessas ações. E ressaltam a importância de integrar os diferentes segmentos da UFOP nas discussões e ações.
Os dados mostram que as temáticas de gêneros e sexualidades são transversais em diferentes áreas do conhecimento da universidade, e que estão presentes em sete das 12 unidades acadêmicas. Nesse estudo, mostra que as únicas unidades acadêmicas que não tem participação são os IFAC, EM, EFAR, ICEA e EEF. Além disso, destaca-se que o campus de João Monlevade não conta com iniciativas dessa temáticas. Já os dois campus de Mariana (ICHS e ICSA) aparecem nos resultados.
Oficinas
Além do trabalho de levantamento de dados e estudos de gênero na Universidade, o grupo realiza uma série de oficinas que abordam a temática no âmbito do jornalismo para profissionais e estudantes da região dos Inconfidentes. No dia 9 de dezembro, foi ministrado a última atividade presencial do grupo de pesquisa, a Oficina de Formação para Jornalistas sobre o Ambiente Universitário e Violência, ministrado pela jornalista Lia Junqueira.
Na atividade, a palestrante apresentou definições como, por exemplo, o que se enquadra como ambiente universitário. Entre uma definição mais ampla e, constantemente ignorada, o espaço enquadra todas as localidades existentes por conta da universidade como, por exemplo, as repúblicas estudantis (tanto privadas quanto federais).
Dessa forma, relações noticiadas sobre esse contexto, devem levar em consideração a cultura universitária diante das questões de violência de gênero nesse âmbito.
Lia Junqueira, mencionou a falta de dados e pesquisas voltadas para o tema, principalmente ressaltando sobre a subnotificação de casos de violência de gênero no ambiente acadêmico, resultante da cultura do silenciamento presente pelas estruturas hierárquicas e dinâmicas de poder existentes nesse ambiente.
A oficina também abordou formas e pontos que os profissionais devem se atentar na escrita de matérias com a temática que denunciem a violência cometida, evitando a revitimização da pessoa que a sofre. Como, por exemplo, a utilização da voz passiva e ativa (evidenciando agressores e não vítimas), o sigilo sobre a vítima e a contextualização do caso.
A equipe do Ariadnes afirma que, no próximo ano, serão realizadas oficinas sobre lesbocídios, crimes contra comunidade LGBTQIAPN+, transfeminicídios e outros temas que estão sendo selecionados.
Para saber mais sobre o trabalho do Ariadnes e acompanhar o calendário de atividades para o próximo ano, acesse o site do grupo (ariadnes.org) ou siga o perfil (instagram.com/projetoariadnes).
Canais de denúncia de violência de gênero
Central de Atendimento à Mulher (para denúncias de violência doméstica): 180
Ouvidoria Feminina da UFOP: ouv.femininaufop@gmail.com ou (31) 9 8866-7678
Ouvidoria UFOP: https://ufop.br/ouvidoria
Fala Br: https://falabr.cgu.gov.br/web/home
.png)







Comentários