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ATINGIDOS POR MINERAÇÃO CRITICAM PRESENÇA DA VALE NA COP30

  • Foto do escritor: Rádio Plural
    Rádio Plural
  • 1 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

Durante a COP30, jovens impactados pela mineração no Pará, em Minas Gerais e em Rondônia denunciaram a presença da Vale na conferência.


Por Laura Siqueira


(Logotipo da Vale no estande da Indonésia na COP30 (Foto: Daniel Camargos/Repórter Brasil)
(Logotipo da Vale no estande da Indonésia na COP30 (Foto: Daniel Camargos/Repórter Brasil)

O nome da mineradora apareceu em estruturas vinculadas ao evento, em outdoors e em anúncios espalhados por toda cidade. A Vale se fez presente no estande da Indonésia, no aeroporto, no aplicativo da Uber, e em eventos culturais nos quais o logo da mineradora esteve estampado. Segundo o portal Repórter Brasil, a ativista Isadora Canela, de Brumadinho (MG), afirmou que a empresa se fez presente “praticamente em todo lugar”. Ela mediou o painel “Greenwashing, mineração e a batalha do imaginário”, realizado na manhã de 17 de novembro.


O painel reuniu nomes como Thalia Silva, de Parauapebas (PA) , e Itxalee Cinta Larga, de Rondônia, que questionaram a forte presença da empresa na conferência do clima, já que ambos associam violações ambientais em seus estados a companhia, que seguiram sem solução. No dia 5 de Nnovembro completou-se 10 anos do rompimento da barragem de Fundão, no distrito de Bento Rodrigues, Mariana (MG), desastre pelo qual até hoje ninguém foi criminalmente responsabilizado pela justiça brasileira.


No dia 14 de nNovembro, a mineradora inglesa BHP, sócia da Vale, foi condenada pela justiça inglesa, por um dos desastres de maior impacto da história do Brasil. O rompimento da Barragem de Fundão ocorreu em 2015 na cidade de Mariana, Minas Gerais.


A crítica dos ativistas ganha força diante da presença institucional da empresa na própria estrutura da conferência. O parque da Cidade, sede da COP30, foi construído com investimento de R$980 milhões da mineradora, que através do programa estadual Estrutura do Pará, que permite converter TFRM (taxa de Fiscalização de Recursos Minerais) em obras executadas por mineradoras. A empresa de mineração financiou, contratou e gerenciou a obra. 


Diversos anúncios espalhados pela cidade, no aeroporto são exibidos, slogans que dizem, “ver e viver as Amazônias” e “Onde tem cultura, tem Vale”. A empresa patrocinou veículos diversos de comunicação como Folha de S.Paulo, O Globo, Valor Econômico entre outros veículos tradicionais de mídia, sendo a principal patrocinadora da cobertura jornalística da COP30. 


Em comunicado enviado à Repórter Brasil, a mineradora alegou que mantém colaborações com meios de comunicação jornalísticos,  para dar maior alcance às suas opiniões sobre assuntos de interesse público. A empresa também ressaltou não interferir sobre o conteúdo editorial desses veículos de mídia e que as parcerias têm o objetivo de promover o debate sobre mudanças climáticas e o papel do setor privado na transição energética. 


A empresa também defendeu o uso do Estrutura Pará, a companhia entende que essa parceria com o governo do estado é uma forma de contribuir com um “legado duradouro” para Belém. Negou praticar greenwashing e alegou ter “histórico sólido” de ações socioambientais. 


Relatos do impacto das atividades da Vale em Parauapebas


Thalia Silva relatou a Repórter Brasil, que com a presença da empresa na COP30 e inevitável discutir sobre mineração e seus impactos. Ela relatou que começou a se aprofundar nos estudos sobre meio ambiente após o rompimento da barragem, em Mariana, desastre que atingiu milhares de pessoas e provocou a morte do rio Doce e em toda a sua extensão.  


“Quando a gente começa a estudar, percebe que a mineração da Vale faz diversas violações de direitos humanos”, disse Thalia. Movimentos sociais denunciam problemas de saúde devido à estrada de ferro do complexo do Carajás, que atravessa municípios do Pará e Maranhão. A Vale foi ao banco dos réus de um julgamento simbólico, que foi realizado por movimentos sociais no dia 13 de Novembro. É um tribunal popular que aconteceu durante a cúpula dos povos na COP30. 


Em entrevista concedida à Repórter Brasil, Thalia disse sentir uma “guerra desigual”, “Eu me sinto cansada, chateada e com medo, porque parece que a gente é refém. Qualquer lugar que você vá, sempre vai ter alguma coisa da empresa. Nunca tem uma saída diferente, porque eles não nos dão essa escolha”. Para ela, esse patrocínios consolidam a imagem da mineradora com benfeitora, quando simultaneamente apaga conflitos e violações em diversos territórios do país. “A mineração não é solução para o nosso futuro. Se a gente continuar explorando como sempre foi, as pessoas vão continuar tendo seus direitos violados.


Da esquerda para a direita: Thalia Silva, Itxalee Cinta Larga e Isadora Canela, participantes do painel sobre greenwashing e mineração (Foto: Jarê Pinagé/Engajamundo)
Da esquerda para a direita: Thalia Silva, Itxalee Cinta Larga e Isadora Canela, participantes do painel sobre greenwashing e mineração (Foto: Jarê Pinagé/Engajamundo)


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Rádio Plural 

A Web Rádio Plural, foi fundada em 2014 pelos estudantes de jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto, com o objetivo de dar voz aos futuros jornalistas, permitindo que a experiência da graduação se tornasse prática . Desde então, gerações de alunos participaram na elaboração de inúmeros programas como entrevistas, coberturas jornalísticas e reportagens sobre assuntos variados.

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