A vida Boêmia invade Mariana
- Rádio Plural
- 1 de dez. de 2025
- 5 min de leitura
O Festival Botecando é o primeiro festival gastronômico da cidade e tem atraído a atenção local
Por André Medeiros e Yasmin Alcântara
Desde o dia 6 de Novembro até o dia 7 de Dezembro está acontecendo em Mariana o 1° Festival Botecando, um circuito gastronômico que conta com a participação de diversos bares e botecos em toda a cidade.
É um modelo simples de se entender o do festival, os comércios cadastrados tem de apresentar um prato de tira gosto típico da cozinha mineira com o preço tabelado de até 60 reais, devem apresentar um diferencial para atrair a clientela e também devem ter uma história.
Procurado pela nossa editoria Marcos Eduardo, secretário de cultura da cidade nos cedeu algum tempo para dar algumas palavras:
“O Festival Botecando – 1º Festival de Comida de Boteco de Mariana teve excelente aceitação por parte da população, que participa ativamente, frequentando os estabelecimentos e votando em seus pratos favoritos. A votação é realizada por meio de aplicativo, que, além de registrar os votos, também contabiliza o número de visitantes por dia, contribuindo para um melhor acompanhamento dos resultados.
É importante ressaltar que se trata de um projeto piloto, com a perspectiva de ampliação nos próximos anos, com maior divulgação, possíveis novas parcerias e apoios institucionais e privados. A proposta foi muito bem recebida pelos bares e restaurantes participantes, que se identificaram com o objetivo do município em alavancar e fomentar o comércio gastronômico local.
A partir dos resultados obtidos, pretendemos, para o próximo ano, estruturar melhor o festival, buscar novas parcerias e patrocínios e consolidar o Botecando no calendário de eventos da cidade.”
Ficamos intrigados com o festival e então decidimos ir às ruas em alguns dos bares participantes para tirar a prova do quão bom estão alguns dos pratos concorrentes.
Primeira parada Bar.
Coxinha creme do bar.

Ao vermos as fotos no Instagram ficamos curiosos quanto a esse prato, a coxinha é um salgado que se encontra em cada esquina, ela é praticamente parte do cotidiano de inúmeras pessoas, seja como um lanche no intervalo do trabalho ou da escola, como também sempre presente em festas de aniversário então logo pensamos “O'Que ela trará de diferente que estava agradando tanto assim quem consumia?”
Fomos muito bem recebidos pelos garçons e pela gerente que confessaram estar bastante empolgados com o prato e na forma como as pessoas têm reagido a ele, tanto que decidiram por manter o tira gosto no cardápio após o fim do festival.
Fizemos o pedido, as coxinhas e um chope para enquanto esperávamos o prato chegar, mal chegamos no final do copo e elas já estavam na mesa, ficamos surpresos com a rapidez no preparo e de cara nossas expectativas foram quebradas, estávamos de frente a 4 grandes coxinhas que hipnotizam qualquer um apenas com o olhar, foi amor a primeira mordida, bastante crocante por fora e recheada com bastante queijo que traz uma surpreendente cremosidade.
Tentamos falar pessoalmente com o Chef que também é um dos proprietários, mas não foi possível fazer o contato, entretanto conseguimos posteriormente uma mensagem dele por meio da gerente do bar:
“A idéia da coxinha se remonta ao Brasil império, ideia que vem sendo construída e reconstruída no país a muitos anos.
A do BAR não é diferente, construída usando do que julgamos ser excelentes ingredientes dentro de um prato e que monta e ilustra bem a alma de boteco e sofisticação que o BAR representa.
Não é um prato muito leve, pela grande presença de um queijo mussarela bem derretido, além da suculenta massa de carne de frango, batatas e especiarias.
Esperamos que gostem!”
Próxima parada Armazém Beer House
Toucinho de barriga empanado

Para celebrar a cultura mineira o Armazém trouxe um clássico toucinho de barriga empanado. Um prato saboroso, mas que não foge muito dos tira-gostos típicos de qualquer boteco de Minas. A experiência no Armazém foi agradável e apesar do espaço bem cheio o proprietário Valerio mesmo com demandas conversou um pouco com a gente, contando que a ideia desse prato, que inclusive já existia no cardápio, veio de um cliente que viu parecido em outra cidade e sugeriu um novo modo de preparo. Foi assim que o toucinho empanado foi repaginado para o Festival usando novas técnicas, como a utilização de uma outra farinha para o empanamento. Trazendo boas críticas dos fregueses que disseram que ficou ainda mais gostoso que antes, o prato foi tão bem recebido que permanecerá no cardápio do Armazém.
Após fazermos o pedido esperamos por cerca de 1 hora por conta da demanda do restaurante. Assim que o prato chegou percebemos que a poção parecia bem maior nas fotos, mas isso não foi um problema, porque sacia bem duas pessoas. O garçom nos entregou apenas a poção e dois garfos, mas são necessários pratos e facas pois os pedaços de toucinho são grandes demais para comer com garfo ou palito. A carne foi frita com a gordura nova e servida no ponto, porém o corte favoreceu uma quantidade exagerada de gordura. As batatas rústicas são sequinhas por fora e macias por dentro, temperadas com condimentos muito equilibrados e ficam deliciosas com os molhos de mostarda e mel e a maionese especial, que também são muito gostosos e não deixaram a desejar.
O prato não é tão surpreendente, mas é um bom tira gosto para momentos de lazer. Recomendado degustar uma cerveja bem gelada!

Última parada NaPraia
Costela Rainha Ana D’Austria

A costela Rainha Ana D’Austria é um prato digno de ser servido em palácios, pois sem dúvidas é o melhor do festival. Fazendo homenagem a rainha que deu o nome a Mariana, o tira gosto foi montado pensando na culinária regional, contando com ingredientes locais que fazem parte da história gastronômica da cidade e de Minas Gerais. A costela bovina tem o preparo longo de aproximadamente 6 horas no forno e é glaciada na rapadura, acompanha um saboroso pão de alho com tomate seco e provolone, vinagrete de jabuticaba, a fruta da primavera mineira e farofa de ora-pro-nóbis, um tempero bem usado nas refeições locais. Todos os ingredientes são encomendados pelo restaurante com fornecedores da região, mostrando a apreciação da comida mineira e a valorização dos produtores locais.
Chegamos no NaPraia e pedimos o prato, que em pouquíssimo tempo já estava na mesa. Com uma apresentação harmônica, o tira-gosto é bem servido e consegue saciar duas pessoas, apesar da quantidade de farofa e vinagrete serem meio escassas. A costela agridoce derrete na boca e a gordura vem no ponto certo o que a deixa ainda mais saborosa, o pão de alho é muito bom e pareceu ter saído direto da brasa, de comer rezando! A farofa é crocante e muito bem temperada, perfeita para harmonizar com a costela, por fim o vinagrete de jabuticaba é o melhor componente do prato, pois além de trazer a acidez que faltava, o sabor frutado o deixou ainda mais original e saboroso.
Apesar de ser uma refeição criativa e muito diferente do habitual, a sensação de comer esse tira-gosto é como de comer um churrasco no quintal de casa, pois é tão familiar e feito com tanta atenção aos detalhes, que conseguiu transformar ingredientes típicos em uma experiência gastronômica espetacular. A recepção do prato foi tão boa quanto essa crítica, garantindo ele no cardápio do NaPraia após o fim do Botecando, porém o vinagrete será sazonal assim como a própria jabuticaba, instigando o público a voltar para saber qual será a próxima harmonia que o Chef Leo Schettini vai proporcionar aos clientes.

O encerramento do festival será no dia 7 de dezembro na Praça Gomes Freire, onde além de anunciar o grande vencedor do primeiro festival Botecando de Mariana, a prefeitura está organizando uma celebração especial para finalizar o evento com chave de ouro. A votação é feita pelo aplicativo Conecta Mariana, onde a população após degustar pode votar em seu tira-gosto favorito. Eventos como esse impulsionam o comércio e valorizam a cultura local, trazendo não apenas turistas, mas também os moradores para ocupar a cidade e engajar nos acontecimentos locais.
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